domingo, 4 de dezembro de 2011

Estagiários da Incompetência e da Ganância...


Atualmente o caminho que o jornalismo está trilhando vem se tornando cada vez mais duvidoso, o compromisso com a verdade está se transformando em interesses econômicos. Canso de ver reportagens que poderiam ganhar prêmios jornalísticos, se transformarem em simples matérias de bairro.

Lembro-me bem do caso da criança João Hélio, que morreu arrastada por um carro durante quilômetros, pelo fato de ter ficado preso ao cinto de segurança. Esse crime chocou o país, e tudo que os jornalistas pautaram, foi a dor da mãe pela perda do filho. Ninguém ao menos se importou em investigar a punição dos delinqüentes, se é que houve uma sentença decente e superficialmente apenas "furaram"(jornalísticamente falando) o acontecido. Sensacionalizaram, mas não cobriram a fundo se a justiça realmente estava sendo cumprida.

Casos assim acontecem todos os dias, alguns até mais polêmicos, outros nem tanto. Mas o que fico a me perguntar, e o outro lado da verdade, quem escreve sobre isso? O fato que realmente é de interesse público, a justiça, o "por trás do panos", ninguém se arrisca a pautar. Se escondendo atrás do fator "tempo". "Hoje em dia não dá mais para fazer grandes reportagens investigativas, o Jornalismo está muito rápido, falta tempo gente. Já escutei isso diversas vezes.

Hoje em dia, notícias aparecem a cada segundo, a falta de tempo e disposição atrapalha. A velocidade está sugando o jornalismo, que na minha opinião, está sem suporte para tanta atualidade. Talvez a solução esteja nos futuros jornalistas, que concluem o curso com a visão de mudar essa situação.

Em muitos casos, esses jovens recém formados, ao se depararem com a falta de investimento e apoio, acabam se entregando ao círculo vicioso dos interesses da comunicação, o retorno financeiro. A partir daí, percebemos que esses jovens, assim como a sociedade, não se esforçam para mudar determinadas situações.

O que deveria ser a solução, tem se tornando um problema, situações que poderiam já estar encaminhadas a um outro rumo, continuam as mesmas. Jovens que deveriam lutar por aquilo que acreditam, se entregam a ações rotineiras. A cobrança que os jornalistas deveriam fazer a órgãos públicos, pessoas que se encontram em débito com a sociedade, não são feitas.

Não existe mais aquela rebeldia de mudar, fazer acontecer, de querer descobrir o que está havendo de errado com o mundo, a comodidade é tanta, que sempre está tudo certo. Os focas estão desistindo da luta pela investigação, pela parte mais trabalhosa.

Hoje em dia, os jovens querem concluir faculdades e já ingressarem em empregos, onde já possuam cargos de confiança, salários altos e de preferência sem muito trabalho. Os valores estão mudando, a ganância está aumentando. O mundo está girando em torno do dinheiro e da estabilidade profissional. O resto, é resto e apenas resto.

Alguns profissionais citam, que isso poderia ser influência de professores e da falta de recursos nas universidades. Jovens entram nas salas de aula para aprenderem o que seria jornalismo e se deparam com profissionais, que nem jornalistas são, e muito menos estiveram em alguma redação de veículos de comunicação. Até aí, trabalhar ou não diretamente com Jornalismo, pouco me preocupa, tendo em vista que existem diversas matéria importantíssimas que ampliam o conhecimento do jornalista, tais como: antropologia, psicologia, design, cores, layouts, etc.

Me preocupa mais esse jogo de poder que professor faz com o aluno: Eu mando nessa classe, você é o aluno, então se porte como tal. Não venha me tirar autoridade, você não é ninguém, no mínimo acabará sendo um zé ninguém na vida. (respeitando a todos que chamam-se ZÉ, não quis ofendê-los, foi só uma forma de expressão). E isso acimenta ainda mais o mediocre muro entre professor e aluno. Uma pena!

Acho que ao escolher uma profissão, você escolhe aquela que mais se enquadra ao seu perfil. Um estudante de medicina, quer ser médico pelo fato de gostar da área da saúde, e pela vontade de ajudar o próximo, salvar vidas. Mas se seus mestres não o ensinarem corretamente como utilizar os equipamentos necessários para uma cirurgia, o aluno não concluirá a operação corretamente.

Ninguém nasce jornalista, mas com tempo descobrimos que o jornalismo faz parte de nossas vidas. Precisamos de profissionais que saibam cobrar, de nós alunos, uma mudança. Eles, professores, são a base dos nossos conhecimentos.

É relativo comentar, que o que seremos no futuro, depende de como somos auxiliados no período em que estamos estudando. Não é bem assim que funciona, isso dependerá muito do aprendiz, do esforço e da capacidade de sugar tudo que é necessário, não só dos professores, mas também de outros profissionais, livros, enfim, inúmeras outras fontes.

Por tanto, se esses jovens recém formados, não tiverem forças e coragem para mudar esse quadro, nos tornaremos estagiários da incompetência e da ganância, onde se aprende que conviver em harmonia com a corrupção é o certo, e cobrar da justiça nossos direitos e a verdade, é perda de tempo.
Mariane Rodrigues.

2 comentários:

  1. Adorei, Mariane! O melhor, aquilo que vc deve procurar sempre manter vivo em vc, é esta ânsia de mudar, essa percepção da desarmonia a que este mundo está entregue, esse fogo de lucidez diante damultidão de zumbis que teimam em deixar sua humanidade de lado em troca de migalhas... e ainda chamam isso de vida. Parabéns! Sempre que puder, compartilhe seus pensamentos com a gente, tá? bjos Luiz Augusto

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  2. Mesmo que seja impossível qualquer tipo de transformação, o importante é ter o conhecimento de valores para poder discernir o errado do certo e também atitude para mudar.
    Beijos sempre,
    Ivanici

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